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ATO POLÍTICO NO MARCO DOS 30 ANOS MANTÉM VIVA A MEMÓRIA DA GREVE DE 83

Obrigada Família Abraspet, seu apoio foi fundamental, nossa festa foi maravilhosa.


Nem em sonho se poderia imaginar tal coincidência histórica e inusitada: comemorar o marco da luta dos trabalhadores pelo fim da ditadura militar, em 2013, na mesma data em que os trabalhadores reafirmam nacionalmente seu compromisso com o País democrático que todos queremos.

Mais uma vez a predestinação dos petroleiros à luta se confirma. O ato político realizado pela Abraspet, que comemorou o aniversário da greve histórica que a categoria empreendeu, em 1983, contra a ditadura militar, foi marcado por um fato extraordinariamente simbólico. Para esta mesma data – 11 de julho -, 30 anos depois, as oito centrais sindicais do País, de forma unitária e inédita convocaram uma greve nacional pelo fortalecimento da democracia.

A chuva que caiu torrencialmente na manhã da quinta-feira não impediu que os associados da Abraspet comparecessem ao auditório da Casa do Comércio onde, após um café da manhã regado a muita conversa e animação, todos ouviram atentamente as palestras do presidente da Aepet (Associação dos Engenheiros da Petrobrás), Fernando Siqueira, e do historiador baiano Sérgio Guerra.

Com uma apresentação bem elaborada e fundamentada, Siqueira falou sobre a riqueza do pré-sal e os ataques a este patrimônio do povo, para entregar o petróleo brasileiro a empresas multinacionais. Após expor o lobby que vem sendo feito junto ao governo e aos parlamentares, Siqueira chamou a atenção para a necessidade de despertar o nacionalismo dos brasileiros.

O professor e doutor em história, Sérgio Guerra, cuja trajetória de militância política é contemporânea da luta empreendida pelos petroleiros, desde antes da greve de 83, falou sobre o protagonismo das pessoas comuns na construção da história, a exemplo dos anistiados e seus familiares, que viveram e sofreram os dias de perseguição da ditadura.

Após assistir o documentário produzido pela Abraspet sobre a greve de 83 e a luta pela anistia, Guerra afirmou: “É preciso ir além dos registros oficiais e contar a verdadeira história das lutas sociais, dando voz àqueles que efetivamente a travam, como fizeram vocês, petroleiros, neste belíssimo vídeo”. Inspirado pela emoção da plateia, o historiador fez ainda uma referência aos heróis populares da independência da Bahia, que continuam a inspirar as lutas do povo baiano.

Memória viva

O segundo bloco de palestras apresentou o testemunho de lideranças que estavam na linha de frente do enfrentamento ao regime militar na greve de 83. Antonio Alencar Ferreira, de Campinas (SP) falou sobre os acontecimentos daquele momento histórico em Paulínia (SP), destacando a coragem dos petroleiros da Replan – Refinaria do Planalto Paulista. “O movimento dos petroleiros recebeu forte apoio dos sindicatos dos Metalúrgicos do ABC, dos Bancários, Químicos e Metroviários”, lembrou Alencar.

O segundo palestrante desse bloco foi Germino Borges dos Santos, que era o presidente do Sindicato dos Petroleiros, na época, e que representava os trabalhadores da Rlam – Refinaria Landulpho Alves, de Mataripe. Ele lembrou que a greve foi um momento ímpar da organização da categoria, fundamental para a redemocratização do País. “Fizemos uma greve política, contra o regime militar. As greves do ABC já vinham desafiando a ditadura e nós, petroleiros, ajudamos a derrubá-la”, afirmou.

Nos sete dias da paralisação, o exército ocupou as refinarias, os sindicatos de Campinas e da Bahia sofreram intervenção militar e suas diretorias foram cassadas. A greve resultou na demissão de 349 trabalhadores de Paulínia e de Mataripe, únicas refinarias do País que aderiram efetivamente à greve, que deveria ter sido nacional.

Anistia pendende

O terceiro e último bloco de palestras do evento contou com as exposições feitas por Raimundo Lopes e Edson Nonato, respectivamente vice-presidente e primeiro secretário da Abraspet, que falaram sobre a anistia política no País, destacando principalmente o seu aspecto inconcluso.

Lembrando a árdua luta pela criação das leis que possibilitaram a anistia dos petroleiros, os palestrantes reafirmaram a indignação da categoria e das famílias com a morosidade e as manobras governamentais para adiar ou tornar sem efeito os processos de reparação face às perdas psicológicas e financeiras decorrentes da perseguição que sofreram por participar da greve histórica de 83.

Presença constante nas mobilizações e lutas que os anistiados promovem em Brasília, o deputado federal Daniel Almeida (PCdoB-BA), compareceu ao ato político dos petroleiros, levando mais uma vez sua solidariedade e reiterando o apoio de seu gabinete à continuidade das lutas pela reparação de todos os punidos.

Ao final do evento, o jornalista Ney Sá, que conduziu o andamento das palestras e as atividades da mesa organizadora, convidou toda a diretoria da Abraspet ao palco e foi observado um minuto de silêncio em homenagem a todos os companheiros de luta que já faleceram.